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  • Daniel Canineu

Você sabe por que te falta dinheiro?

Atualizado: Jul 11


Quando você pensa em construir um futuro mais rico e uma aposentadoria mais tranquila, a ideia que passa na sua cabeça normalmente é cortar gastos e fazer algum tipo de poupança, não é mesmo?


Se o objetivo futuro for mais desafiador você passa a cortar mais gastos e aumentar a poupança. Porém, um processo de transformação financeira iniciado desta maneira não é sustentável ao longo do tempo, ou seja, é um processo fraco que te levará a desistir quando aparecer a primeira oportunidade de um “bom gasto”.


O maior problema nesta estratégia de cortar gastos não é a estratégia em si, mas o que acontece com a grande maioria das pessoas é que os gastos são desequilibrados, são gastos mal escolhidos, a falta de dinheiro é resultado de escolhas inconsistentes que você tomou até agora. De repente, muitos afirmam que o quanto ganham não é suficiente para sanar toda as despesas do dia-a-dia, de repente também você até tem um custo de vida equilibrado, no entanto, o dinheiro falta por pequenas escolhas ruins que se acumulam ao longo da vida, escolhas estas derivadas muitas vezes de compras impulsivas e emocionais.


A falta de dinheiro tem explicações:

Se você fizer uma rápida busca em sua dispensa, conseguirá encontrar uma serie de produtos comprados no passado, mas que nem vieram a ser consumidos, são os estoques. Estoque é dinheiro parado, é considerado também um dos maiores vilões das famílias, uma vez que ainda temos o hábito de compras maiores, mais espaçadas. Exemplos de estoque, compras de alimentos, livros que ainda nem foram lidos, roupas que você comprou e nem usou, brinquedos dados aos filhos e nem foram utilizados, entre outros. Então o problema não é a falta de dinheiro, muito menos o quanto se ganha como salário, o problema aqui está mais relacionado com o fluxo do caixa, muitas vezes o que falta na sua conta é o que está parado em forma de estoque. Você esta com falta de dinheiro e sobra de estoques e como consequência, a falta de dinheiro te leva a pagar juros, cobrados no seu cheque especial, no seu cartão de credito, no seu consignado e em todas as outras formas de empréstimo que existem.


Comprar com mais frequência e comprar apenas o que precisa é uma das soluções para resolver o seu problema da falta de dinheiro. Mesmo que você perca um pouco as negociações, não tem problema, os juros cobrados nas dívidas são sempre muito maiores que o desconto que você aparentemente perdeu em uma promoção.


A falta de dinheiro também pode ser consequência de negociações ruins. Considera-se uma má negociação a compra de pacotes de serviços como de TV à cabo que você não o usa em sua totalidade, pacote de internet é outro exemplo. O problema não é adquiri-lo simplesmente, a falta de dinheiro aparece quando você tem pouca produtividade com esse serviço ou mesmo quando ele não cabe no seu orçamento. De repente era um pacote interessante naquele momento, mas que no dia-a-dia não se tornou tão útil e passou a ser caro para manter. É muito comum ver famílias que adquirem o combo das empresas de telefonia com ponto adicional de TV mas que muitas vezes trabalham o dia todo sem tempo para ver os filmes dos canais adicionais, assiste futebol pela TV aberta. Por conveniência muitos mantem este pacote e muitas vezes nem sabem qual é o numero fixo de sua casa. Hoje existem alternativas como serviços de streaming, Youtube com uma serie de canais interessantes, entre uma infinidade de coisas que podem fazer parte do seu dia-a-dia sem pagar mais por isso. Outros exemplos de negociações ruins: assinaturas de jornais e revistas, planos de conveniência, assinatura de canais de músicas ou mesmo plano de anual de academia quando você não a treina frequentemente, entre vários outros. Eles podem ser bons negócios, contanto que você faça bom uso destes planos. Caso contrário, eles são motivos de faltar dinheiro em seu orçamento e por consequência levam você a pagar juros quando esta com dívidas.


Outro ponto importante que vai te levar a falta de dinheiro é você não considerar ou dar atenção aos pequenos valores. Quando fazemos um planejamento de vida, do orçamento familiar geralmente decidimos quanto vai custar a moradia, se vai ser casa própria ou alugada, se vai pagar ou não o financiamento do carro ou se vai andar num transporte por aplicativo ou transporte publico, quanto vai custar o plano de saúde, a escola das crianças, enfim, os grandes gastos. Se perguntar para qualquer pessoa quanto custa o aluguel da casa, o financiamento do carro, o custo do supermercado todos respondem prontamente, dificilmente alguém não saberia responder estas questões. Em geral, as pessoas montam um orçamento e deixa um pequeno espaço para as despesas do dia-a-dia: supermercado, feira, talvez a farmácia, a padaria, o abastecimento do carro. E aí que está o grande problema, nesse espaço que se deixa e na pouca consciência que se tem sobre esses pequenos valores, porque nestes pequenos valores também estão aquela água de coco que você tomou depois de uma corrida, aquele restaurante do final de semana, aquele doce após o almoço, a revista que você comprou enquanto aguardava na fila, entre muitos outros gastos esporádicos e muitas vezes que parecem imperceptíveis ao olhos nus. Esses pequenos valores somados ao longo do mês somam-se em 20%, 25%, 30% de todas as suas despesas.


O mais importante é que você não corte os pequenos valores uma vez que estão ligados à sua qualidade de vida, ao seu bem-estar financeiro, às pequenas alegrias que somadas vão se traduzir em felicidade. O problema é quando não se tem consciência desses pequenos valores e aí você acredita que tem espaço no orçamento para assumir a prestação de uma nova compra que pode ser representativa ou alguma emergência que aconteceu, quando na verdade, não havia aquele espaço.


Mais um ponto que leva as pessoas a ter falta de dinheiro e pagar juros desnecessariamente é o mau uso do cartão de crédito. Na realidade este hoje se tornou o maior vilão do endividamento quando que ele deveria ser o maior aliado na administração pessoal. Na realidade cartão bem usado é você concentrar todos os gastos corriqueiros em um único instrumento que vai ter um vencimento em uma única data (preferencialmente dois a três dias depois de você receber seu salário). O problema é quando as pessoas entendem o cartão de crédito (e isso vale também para o cheque especial) como um complemento da sua renda. Não é errado saber que o dinheiro do mês acabou e mesmo assim você fazer a compra de algo para se pagar no próximo mês. Mas é errado você não considerar o pagamento integral da fatura deste cartão. Deve-se pagar integralmente porque o juro embutido no crédito rotativo são os mais altos praticados no mercado em qualquer lugar do mundo, em especial no nosso país, que ultrapassa 300% ao ano. O fundamental para se ter um melhor controle do cartão de credito é saber o quanto você está gastando, fazer um acompanhamento preferencialmente semanal e ter a consciência de que quando chegar a fatura, você terá dinheiro na conta para pagar 100% deste valor. Quem se endivida via cartão de credito entra no famoso efeito bola de neve, perde o controle e cria uma situação desesperadora, pagando depois de um ano de repente 2, 3, 4 vezes o valor original da fatura.


Um outro erro que as pessoas cometem é a falta de flexibilidade resultado muitas vezes das más escolhas, más negociações. O grande problema da falta de flexibilidade é que, esta vida no limite financeiro que levamos não há espaços para imprevistos. Vivemos num país economicamente inconstantes, politicamente confuso, extremamente desigual, um país em que os preços mudam constantemente, em que as regras mudam, impostos novos surgem da noite para o dia e que a inflação declarada não é mesma sentida em nossos bolsos. Desta forma, não é recomendável confiar que nosso orçamento vai funcionar direitinho o ano todo. Imprevistos vão acontecer e você não pode evitar porque senão eles não seriam imprevistos. Um orçamento que possibilite ter flexibilidade é um orçamento que se acomoda a imprevistos, isto é, um orçamento que permite imprevistos acontecerem, com menos comprometimento, com menos gastos fixos.


Em sua grande maioria, o problema das pessoas com relação ao dinheiro não é a falta dele, mas sim falta de prioridades, falta de planejamento, falta de um orçamento financeiro, condizente com sua realidade econômica. O que acontece com as famílias de forma geral é que se vive em um padrão de vida um pouco diferente ou acima do que a realidade permite. Famílias que tem renda de R$ 2.500 vivem um padrão de R$ 5.000, quem recebe R$ 5.000 vive como se ganhasse R$ 10.000 e assim por diante. Outro fator que contribui para a má relação pessoas x dinheiro é a ansiedade por consumir, os impulsos conscientes ou inconscientes por compras, fazendo com que as pessoas tomem decisões que no momento parecem as mais corretas, mas que no futuro cobram caro por isso.


Toda decisão de compra e a consequente falta de dinheiro são provenientes de questionamento comuns como: compro hoje, a prazo, porque não tenho dinheiro, e sigo pagando (muito) mais, nos próximos 30 meses ou começo a poupar hoje, seguro a vontade, e espero para pagar a vista, no futuro, com menor valor (tolerando os sentimentos de frustração porque não tem o produto agora)?


Tudo é uma questão de análise de custo benefício, custo de oportunidade. Abrir mão de desejos (ou até um certo conforto no presente) para garantir tranquilidade no futuro ou garantir a realização de desejos presentes e abrir mão da estabilidade no futuro. As atitudes com relação ao dinheiro não dependem do nível de renda ou da posição social das pessoas já a falta de renda decorrente de más escolhas, essa é democrática.


Daniel Canineu - 03/07/2020


Este texto tem como fonte o conteúdo de diversas aulas do autor com o consultor financeiro e escritor Gustavo Cerbasi.

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