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Quem vai arrumar um emprego primeiro?


Eu tenho uma mania, não sei se boa ou ruim, que é a seguinte: se vou precisar que alguém da minha equipe faça alguma coisa, primeiro eu tento fazer eu mesmo.


Faço isso por dois motivos. O primeiro é que se eu fizer, vou saber se é difícil ou fácil, e vou conseguir cobrar o resultado com justiça. O segundo motivo é que se o resultado não acontecer e eu não souber como o trabalho deve ser feito, fica muito fácil alguém me "levar no bico", dar justificativas ou desculpas que eu não vou saber avaliar se são verdadeiras ou não. Tem um terceiro motivo, segundo minha esposa, que é que eu tenho "fogo no rabo" mesmo. Pode ser.


Claro que nem sempre dá pra fazer isso. Tenho na minha equipe pessoas com talentos que eu não conseguiria replicar, nem se tentasse. Não estou "puxando o saco" da minha equipe, é que tenho, por exemplo, gente talentosíssima em Departamento Pessoal aqui, e eu não conseguiria fazer o trabalho delas de jeito nenhum - pelo menos, não sem atrasar os nossos serviços e cometer muitos erros.


Estou contando isso porque faz uns 3 ou 4 dias que estou testando um jeito mais rápido para as pessoas fazerem o cadastro do CV delas no nosso site. Não tô fazendo propaganda não, se você faz parte da minha rede de contatos aqui no LinkedIn não precisa se cadastrar lá, eu te encontro por aqui.


Tem muita gente que manda currículo pra nós e isso é super difícil de lidar. Se a pessoa manda por e-mail, dá um trabalhão salvar de um jeito que seja fácil encontrar depois. Se o formulário de cadastro no site é muito longo, as pessoas abandonam o preenchimento. Então a gente fez um formulário curto, só com o básico, e vamos tentar organizar nosso banco de dados dessa nova forma.


Como as pessoas poderiam ter alguma dificuldade no cadastro novo, colocamos um número de WhatsApp na página, já que hoje em dia ninguém mais liga. Vamos precisar que alguém faça esse relacionamento "Candidato-Formulário-WhatsApp", então eu resolvi que ia cuidar disso por uns dias. Fogo no rabo, diria minha esposa.


Estou aprendendo muito ao fazer isso. Quero compartilhar dois casos:


O Garçom do Rio de Janeiro



Este candidato (46 anos de idade) enviou algumas fotos do currículo. Estava lutando com o celular, provavelmente não leva jeito com a câmera. Respondi pedindo que preenchesse o cadastro, o que ele prontamente fez. Adicionou suas "credenciais". Está topando qualquer parada, precisa trabalhar, paga aluguel. Impossível não ficar sensibilizado, dá vontade de ajudar de alguma maneira, mas eu não tenho vaga para garçom em Nova Iguaçu ou Petrópolis. Se alguém souber como ajudá-lo, me avise que eu passo o contato dele.


Ele QUER trabalhar, PRECISA de um emprego, e mesmo que talvez seja um esforço para ele essa coisa do digital, ele está TENTANDO. Minha intuição me diz que esse cara não fica muito tempo sem trabalho, espero estar certo.


O Ajudante Geral de Minas Gerais



Este aqui (43 anos de idade) deve levar mais jeito com tecnologia. Anexou o CV e enviou. Respondi até com mais detalhes, foi no começo da tarde e eu ainda não estava cansado. O problema foi a resposta dele... Juro que fiquei até meio ofendido. É bem comum algumas pessoas tratarem selecionadores como se estes lhes devessem algum favor ou obrigação e isso sempre me irrita. Acho que o pior foi o "anjo" no final, que parece deboche quando leio do meu ponto de vista masculino. Mas também pode representar um machismo daqueles bem feios, que pressupõe que se alguém está na recepção ou atendimento, deve ser mulher, e se é mulher posso chamar de "anjo", "querida", "meu bem".


Fiquei com vontade de responder atravessado, dar uma lição ou qualquer coisa do tipo. Optei por ser mais educado do que a situação merecia. Paciência, deixa pra lá. Claro que fui dar uma olhada no currículo, tentar entender qual era o perfil. E lá, bem no meio do CV, encontro o seguinte:


Não sei como interpretar. São palavras vazias? O candidato em questão realmente se considera educado e com bom relacionamento interpessoal? Estou sendo muito duro com a resposta dele?


É claro que tenho empatia, imagino quantos cadastros ele já preencheu, quantas frustrações, quantas vezes talvez ele próprio tenha sido destratado na busca por um emprego. Mas a empatia tem mão dupla: será que ele pensou na PESSOA que existe por trás da telinha do WhatsApp? Dessa vez ele falou comigo, que posso vir aqui e transformar essa experiência em um artigo, mas me parece claro que se alguém da minha equipe for começar a fazer esse tipo de atendimento vai ser minha obrigação, de tempos em tempos, levar um cafézinho e perguntar: "e aí, ouviu algum desaforo que você precisa extravasar? Me conta!".


Por último, quero corrigir a pergunta do título. A pergunta certa não é "Quem vai arrumar um emprego primeiro?". A pergunta certa me parece ser a seguinte: se você fosse o selecionador e estes dois candidatos estivessem concorrendo à mesma vaga, qual você chamaria primeiro?


Um abraço!


(Publicado originalmente no LinkedIn em 9 de junho de 2020)


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Um dos aspectos mais estressantes da vida moderna é ter de lidar com pessoas desagradáveis. Somos tão direcionados para a eficiência e a produtividade que acabamos nos esquecendo de que o mais importante é nossa capacidade de cativar as pessoas. Pessoas simpáticas que possuem o que Tim Sanders chama de alto Fator- GB (Gente Boa) tendem a se adaptar com mais facilidade aos seus empregos, a fazer amizades rapidamente e a ter relacionamentos mais felizes. O autor acredita que a simpatia não é apenas uma maneira de melhorar sua vida – é uma maneira de salvá-la. Com esta perspectiva, ele decidiu elaborar um método para ensinar as pessoas a aumentar seu fator GB, avaliar a sua capacidade de inspirar os outros, e assim, aprimorar os elementos essenciais para se ter uma personalidade carismática. Neste livro você vai encontrar um teste para avaliar como anda a sua capacidade de inspirar os outros. E vai aprender também como aprimorar os quatro elementos essenciais de uma personalidade carismática:


- Cordialidade: a porta de entrada da simpatia – a habilidade de expressar delicadeza em relação ao próximo.

- Relevância: a disposição de se conectar com os interesses, desejos e necessidades do outro.

- Empatia: a aptidão de identificar e compartilhar os sentimentos alheios.

- Autenticidade: a capacidade de ser verdadeiro, espontâneo e sincero com você mesmo e com as outras pessoas.

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