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  • Daniel Canineu

Os abusos financeiros praticados contra idosos no Brasil

Atualizado: Jul 11



Comprar por impulso, uma vontade imediata, pressão social. Esses são alguns dos principais comportamentos que levam ao endividamento da população em geral. Mas quando falamos da terceira idade, não são exatamente estes os principais problemas que levam ao descontrole das finanças.


O que pode desequilibrar o orçamento de um idoso são problemas familiares, como uma doença ou o desemprego de um filho ou de um neto.  E isso tem relação direta com dois fatores que pesquisadores já identificam no comportamento dos idosos, que os deixam tão vulneráveis:


- O primeiro é o desapego ao dinheiro. No geral, os idosos têm uma generosidade alta. Para eles, é mais importante ajudar as pessoas do que guardar dinheiro.

- O segundo é a aversão ao materialismo.

Um dos principais indícios de problemas financeiros na terceira idade é comprometimento de pelo menos 30% da renda com financiamentos e ter mais de um empréstimo consignado simultâneo.


A participação do idoso brasileiro na renda familiar se revela cada vez mais expressiva. Dados de um estudo publicado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostrou que nos últimos anos, a terceira idade tem sido a faixa etária que mais se endividou, e como resultado disso o número de calotes cresceu duas vezes mais rápido entre os consumidores com mais de 65 anos. A dívida mais comum entre os idosos é o empréstimo consignado, que é descontado diretamente da sua aposentadoria ou pensão.

Hoje 57% dos consumidores da terceira idade não têm qualquer reserva de dinheiro, aponta SPC BRASIL. Um outro dado importante é que, metade dos idosos entrevistados (47%) garante que pensa no futuro da família e acaba deixando de fazer as coisas que gostaria para manter uma reserva financeira, exatamente para garantir os familiares que dependem deles. As facilidades do Internet Banking também estão longe do público consumidor da terceira idade: apenas 9% afirmam fazer transações bancárias e pagar contas pela web. O que leva ainda mais a dependência de terceiros para as coisas tão básicas.

O número de idosos inadimplentes já́ chega a 4 milhões de pessoas, o que representa cerca de 25% da população acima de 65 anos. O maior motivo da negativação do nome (20%) é em função de emprestar o nome para ajudar pessoas próximas.


Mas o que mais acomete as finanças de um idoso?

- Retenção de salários

- Extorsão

- Apropriação de bens

- Concessão de crédito/empréstimo consignado de forma agressiva e muitas vezes irregular (e este crime muitas vezes acontece dentro das agencias bancárias promovidas pelo próprio banco ou gerente impulsionado pelo grau de confiança que o idoso tem para com estas pessoas).


Na maioria das vezes, o perpetrador (ou abusador financeiro, se podemos dizer assim) está na própria casa do idoso. Veja o que diz a especialista independente da ONU, Rosa Kornfeld-Matte, ela diz: “É um problema desenfreado, mas amplamente invisível. Essa é uma questão particularmente delicada. É difícil, mesmo para profissionais experientes, distinguir entre uma transação financeira imprudente, mas legítima, e uma exploratória, que seja resultado de influência indevida, coação, fraude ou falta de consentimento informado”, e ela vai além, para ela alguns idosos acreditam que o agressor (familiar) tem algum direito aos seus recursos e mais, algumas pessoas mais velhas também têm o desejo de dar compensações para quem lhes dá cuidado, afeto e atenção.

Num país com alto grau de desemprego, suscetível a tantas crises, o idoso se vê pressionado, em função de ter uma aposentadoria ou pensão disponível, mesmo que seja pouca.


Segundo a Coordenação Geral dos Direitos do Idoso:


- 54,7% são os filhos apontados como agressores

- 8,5% netos

- 13% das procuras no PROCON são provenientes deste público, aumento de 400% nos últimos anos.

De acordo com a Secretaria dos Diretos Humanos do Governo Federal (SDH), dentre os tipos de violência cometidos contra os mais velhos, a financeira é a terceira maior do Brasil, atrás da psicológica e negligência.


Acredito que a principal orientação para o idoso é que a questão não é não ajudar, mas o quanto é possível ajudar. Além disso, é importante que eles se esforçem para organizar suas finanças, e isso pode começar a ser feito de um modo simples, com anotações em um caderninho, criando categorias, identificando gastos principais, aqueles que são fixos, prestações e empréstimos. Feito isso, será possível ter uma visão realista do orçamento para poder ajudar os familiares sem impactar as finanças.


Daniel Canineu - 03/07/2020

Economista e Educador Financeiro

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